quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Temer assume que golpe contra Dilma foi articulado porque ela não aceitou projeto neoliberal


Revista Fórum - Durante entrevista em Nova Iorque (EUA) nesta quarta-feira (21), o presidente empossado Michel Temer assumiu que o impeachment de Dilma Rousseff foi uma articulação política que tinha como interesse implementar o programa “Ponte para o futuro”, um projeto neoliberal do partido de Temer que foi rejeitado pela então presidenta. O vídeo, no fim da reportagem, e as informações, são do The Intercept Brasil.

Segundo Temer, meses antes do impeachment, o PMDB teria apresentado o projeto para Dilma Rousseff, que teria se negado a colocá-lo em pratica. A não realização do projeto e sua rejeição teriam culminado no golpe contra a presidenta petista.

“Há muitíssimos meses atrás, eu ainda vice-presidente, lançamos um documento chamado ‘Uma Ponte Para o Futuro’, porque nós verificávamos que seria impossível o governo continuar naquele rumo. E até sugerimos ao governo que adotasse as teses que nós apontávamos naquele documento’. E, como isso não deu certo, não houve adoção, instaurou-se um processo que culminou agora com a minha efetivação como presidência da República”, reconheceu.

Ponte para o Futuro

Após a efetivação de Temer como presidente da República, pontos do projeto neoliberal do PMDB começaram a ser discutidos. Entre eles, está o congelamento de recursos públicos em educação e saúde pelos próximos 20 anos.

Outro ponto chave do projeto é o aumento da idade para a aposentadoria, previsto já nas reformas da previdência. O documento cita, por exemplo, a universalização do mercado brasileiro, que nada mais é que a abertura ainda maior para o capital, já observada nas entrevistas recentes do presidente. Recentemente Temer afirmou que “o país está aberto a negócios”.

No último dia 13 de setembro, o governo Temer anunciou, ainda, a concessão de 34 projetos de infraestrutura, sendo 4 aeroportos, 2 terminais portuários, 2 rodovias, 3 ferrovias, 3 rodadas de petróleo e gás, 7 distribuidoras de energia e usinas e 3 companhias de saneamento, além da Lotex (braço da Caixa Econômica) e ativos da Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais.




Impeachment aconteceu porque Dilma rejeitou 'Ponte para o futuro’, diz Temer.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

“Não temos provas, mas convicção”: o powerpoint de Dallagnol nos jogou de vez no Paraguai


DCM - O show de Deltan Dallagnol na denúncia contra Lula teve como ápices uma confissão e uma apresentação em power point que resumem a tibieza dos argumentos.

Com um discurso recheado de chavões vazios, copiados de colunistas de direita, absolutamente político, o líder da força tarefa da Lava Jato, que apresenta em igrejas evangélicas suas soluções para a corrupção, falou que Lula é “o grande general que determinou a realização e a continuidade da prática dos crimes”.

É também o “comandante máximo do esquema de corrupção identificado no petrolão”. Fazendo uma conta de chegada o esquema na Petrobras movimentou 6,2 bilhões de reais em propinas.

Lula estava, diz ele, “no topo da pirâmide do poder”.

A fim de aparecer para as câmeras e, quem sabe, ganhar uma palavra dicionarizada como “petralha”,

tudo era parte de “um quadro muito maior chamado “propinocracia”.

O ex-presidente “escolhia os nomes para os altos cargos do governo” e “é o verdadeiro maestro desta orquestra criminosa”.

No diagrama vagabundo que faria corar o gerente de marketing das Casas Tamakavy, várias bolinhas com setas apoiadas para um círculo com o nome de Lula foram preenchidas com expressões como “reação de Lula” (!?).

O powerpoint rendeu uma série de paródias muito boas e muito mais reveladoras do que o original. Depois de seu solo de guitarra, com ampla cobertura da TV, ele finalmente foi ao que interessa quando respondeu a um jornalista na coletiva: “Não temos como provar. Mas temos convicção”.

Espera um pouco.

Transformaram o Brasil no Paraguai. O golpe chega a seu real objetivo. A derrubada de Dilma era um pit stop. Trata-se de tirar Lula da disputa de 2018.


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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Aécio concede coletiva, mas se cala sobre Cunha


Minas 247 – Depois de se associar ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para promover um golpe contra a democracia brasileira, após ser derrotado nas eleições presidenciais de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) concedeu nesta terça-feira uma entrevista coletiva em que falou sobre vários temas, mas não deu um pio sobre o essencial: a cassação do ex-presidente da Câmara.

A crise política deflagrada pela dupla Aécio e Cunha, que se somou ao 'quanto pior, melhor', com as pautas-bomba no Congresso, já cortou milhares de empregos e afundou a economia, mas o senador tucano agora quer mudar de assunto.

Leia, abaixo, a íntegra da entrevista e procure encontrar a palavra Cunha:

De que se trata a PEC sobre a cláusula de desempenho?
A PEC é praticamente uma reforma política porque ela tem a virtude de inibir o número de partidos acabando com as legendas de aluguel, aquelas que existem único e exclusivamente para se apropriar do fundo partidário e negociar o tempo de televisão. E isso permite, como consequência, o ordenamento nas discussões. Isso dá, a meu ver, estabilidade ao processo político. Esta reforma permitirá que outras no campo econômico, no campo social, na própria estrutura do Estado, ocorram com negociações facilitadas, pois elas se darão com partidos políticos que têm representação na sociedade e não mais com indivíduos, como vem ocorrendo aqui.

Partido político precisa representar o segmento de pensamento na sociedade. Hoje, com esta pulverização de legendas, cerca de 30 atuando na Câmara dos Deputados e outras a caminho, os partidos perderam esta identidade. Então, o que estamos buscando fazer com esta cláusula de barreira e com o fim das coligações proporcionais, é preservar os partidos que tenham conexão com pensamentos de setores da sociedade, acabando com aqueles que se criaram único e exclusivamente para se beneficiar do fundo partidário e do tempo de televisão.

Existe um número exagerado de partidos políticos?
Sem dúvida alguma. E o que estamos vendo é uma verdadeira promiscuidade nas relações partidárias. Houve uma decisão, a meu ver, equivocada do Supremo Tribunal Federal que permitiu a criação de partidos políticos sem critérios mais rígidos. Então, proliferaram esses partidos políticos. Costumo dizer que alguns deles fazem simplesmente o seguinte: o fundo partidário eles dividem entre seus dirigentes e o tempo de televisão eles negociam com os partidos verdadeiros durante as campanhas eleitorais. Esse projeto é moralizador e tenho certeza que, dentro de poucos anos, teremos, se ele for aprovado, um quadro político de muito maior estabilidade em benefício da democracia e em benefício dos avanços que o Brasil precisa viver.

Os partidos menores sempre tiveram uma resistência maior a esse tipo de proposta por alegar que isso impede o pluripartidarismo, a diversidade de ideias. Há risco de isso acontecer?

Com esse argumento, temos hoje cerca de 30 partidos funcionando no Parlamento brasileiro. Isso não existe em nenhum país do mundo. Aqueles partidos que tenham identificação com setores da sociedade irão sobreviver. Aqueles que não conseguirem esse índice poderão, na nossa proposta, ter funcionamento parlamentar como federação durante um determinado período, um período de transição, que estamos defendendo. Mas o projeto, ele preserva e fortalece partidos políticos na essência que isso possa representar e acabam com aquelas chamadas e conhecidas legenda de aluguel.

A PEC preserva a representação?


Exato. Se você for eleito por um partido que não adquiriu o coeficiente necessário, você pode sim ter seu mandato preservado. Você só não terá as prerrogativas que um partido político tem no Parlamento, de lideranças, de presidências de comissões, por exemplo. Mas, se você optar por exercer seu mandato individualmente, obviamente, ele será preservado. É um processo que caminha na direção de que dentro de pouco tempo, eu acredito que no máximo duas eleições, nós tenhamos reduzido de 25 para alguma coisa em torno de 10 ou até menos partidos políticos funcionando no país.


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Cunha é cassado e culpa Temer. Governo balança


247 – Cassado por 450 deputados nesta madrugada, Eduardo Cunha perdeu os direitos políticos e o foro privilegiado, podendo ser preso a qualquer momento por seu envolvimento na Operação Lava Jato.

Na queda, ele culpou o governo de Michel Temer e poderá agora delatar centenas de deputados, senadores e ministros, além do próprio presidente (leia aqui previsão da consultoria Eurasia a respeito).

Abaixo, reportagem da Reuters sobre a queda de Cunha:

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) teve seu mandato cassado nos últimos minutos da segunda-feira, marcando o fim de uma força política que detonou o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, e, sem sair da linha polêmica que vinha seguindo, caiu atirando e apontou o governo de Michel Temer como um dos culpados pela perda do mandato.

Para ele, o resultado com larga vantagem para sua cassação – 450 votos favoráveis, 10 contra e 9 abstenções-- foi fruto de uma conjuntura que reuniu a articulação do governo e a proximidade das eleições municipais, além de ter sido alimentado por um desejo de "vingança" nutrido por aliados de Dilma.

"É o conjunto político, do processo de vingança, da conjuntura. E aí eu culpo o governo hoje, não porque o governo tenha feito nada para me cassar, mas quando o governo patrocinou a candidatura do presidente que se elegeu em acordo com o PT, o governo, de uma certa forma, aderiu à agenda da minha cassação", disse.

Cunha refere-se à eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao comando da Casa, candidatura que contou com o apoio de aliados de Dilma justamente por ser a mais competitiva em contraposição ao candidato mais identificado com Cunha.

"Eu disse que o governo é culpado quando fez o patrocínio, porque quem elegeu o presidente da Casa foi o governo, quem derrotou o candidato Rogério Rosso (PSD-DF) foi o governo", afirmou, negando no entanto, que seja de seu feitio fazer ameaças.

A cassação de Cunha marca o fim, ao menos por ora, de sua carreira política, já que com a Lei da Ficha Limpa a perda do mandato o deixa inelegível por oito anos, mas não encerra a controvérsia que cerca o deputado. Cresce agora, no ambiente político, o temor que faça uma delação premiada no âmbito da Lava Jato, podendo envolver integrantes do atual governo.

Questionado por jornalistas se faria este tipo de acordo, Cunha afirmou que apenas criminosos fazem delação e, como segundo disse, não cometeu crimes, não tem o que delatar.

DE LÍDER DO CENTRÃO A CASSADO

Cunha saiu de um contexto em que era uma das principais lideranças políticas do Congresso para uma situação de debandada de aliados. Antes, no tempo em que presidiu a Câmara entre 2015 e 2016, reuniu um grupo de parlamentares da base do governo Dilma que sob seu comando impôs derrotas importantes em votações caras ao Palácio do Planalto.

O grupo de mais de 200 parlamentares tornou-se uma tropa capaz de prolongar a tramitação do processo de cassação por quebra de decoro parlamentar que Cunha sofreu sob a acusação de ter mentido quando depôs espontaneamente à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras.

Na ocasião, negou ter contas no exterior, mas documentos dos Ministérios Públicos da Suíça e do Brasil apontaram a existência de contas dele e de familiares no país europeu.

Ainda assim, Cunha mantinha sua força política junto ao grupo de mais de 200 parlamentares e ganhou especial interesse de integrantes da oposição a Dilma, que viam no deputado a chance de levar adiante um impeachment da então presidente.

Passou a ver sua força diminuir quando o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou denúncia e o transformou em réu, em março deste ano. Depois, em maio, o STF determinou seu afastamento do cargo de presidente da Câmara e a suspensão de seu mandato. Em junho, o deputado tornou-se réu em uma segunda ação penal.

Não bastassem os reveses jurídicos, Cunha passou a perder aliados no campo político. Uma vez efetivado o impedimento de Dilma, passou a sofrer críticas duras da oposição à petista.

A situação chegou ao ponto de aliados aconselharem-no publicamente a renunciar antes que o Conselho de Ética aprovasse um parecer pela cassação. Perdeu o timing, e, em seu último discurso antes da votação que cassou seu mandato, pediu que os colegas votassem não pelo conjunto da obra, mas pelas acusações específicas que recaem sobre ele.

Em sua defesa, adotou uma postura de ataque e disse ser vítima de vingança por ter aceito o pedido de abertura de processo de impeachment, além de afirmar que recebeu tratamento diferenciado por parte da Justiça.

"É só por vingança", declarou da tribuna, pouco antes da votação que selou seu destino político. "Alguém tem dúvida que se não fosse a minha atuação teria aquele processo de impeachment?", questionou.

"Estou pagando o preço de ter o meu mandato cassado por ter dado continuidade do processo de impeachment... é o preço que estou pagando para o Brasil ficar livre do PT."

O PROCESSO

A representação que deu origem a processo de cassação foi apresentada em outubro do ano passado pelo PSOL e pela Rede, além de ter sido assinada por deputados de outros partidos, muitos deles do PT, a partir de denúncias da existência de contas bancárias secretas na Suíça de Cunha e de familiares.

Após muitas idas e vindas, o Conselho de Ética aprovou, em junho, o parecer do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), pela cassação do mandato do parlamentar.

Aliados, já mais esparsos, tentaram recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, sem sucesso, e também lançaram mão de prerrogativas do regimento para tentar amenizar a pena do deputado.

Chegaram a aventar a possibilidade de, a exemplo do que foi feito na votação que cassou o mandato de Dilma mas manteve seus direitos políticos, fatiar a votação.

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), por exemplo, apresentou questão de ordem defendendo que pudesse ser colocado em votação não o parecer de Rogério pela cassação, mas um projeto de resolução, passível de ser emendado --comportando, inclusive, uma pena mais branda a Cunha.

Mas apesar do empenho de Marun, e da iniciativa do próprio Cunha de procurar pessoalmente vários deputados, pedindo que não dessem quórum na sessão desta segunda-feira, a proximidade das eleições municipais e a pressão popular não deixaram muita margem para outro resultado que não a cassação.


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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Cunha sondou Ministério Público sobre delação premiada, diz jornal


Diante de uma cassação iminente, o ex-presidente da Câmara e deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já sondou a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a possibilidade de fechar um acordo de delação premiada na Operação Lava-Jato. A sondagem foi feita por emissários que foram diretamente à PGR para consultar procuradores-chave da Lava-Jato e saber se estariam abertos a negociar o acordo, apurou o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, com fontes a par das tratativas. A resposta dos procuradores foi positiva.

As conversas estão na fase inicial, ou seja, ainda não houve a redação de anexos com a indicação de políticos, operadores e empresários a serem delatados e nem a assinatura de um acordo de confidencialidade. Tratou-se mais de saber se as portas estariam abertas para Cunha.


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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Os 39 kg de cocaína de Escobar versus a meia tonelada do helicoca


Juntos.

Reflitamos juntos.

Pablo Escobar virou celebridade na Colômbia quando foi apanhado com 39 quilos de cocaína.

A imprensa colombiana notou: havia um novo rei do tráfico no país.

No Brasil, o helicóptero de um senador é apanhado com meia tonelada de pasta de cocaína e, bem, e não acontece nada.

A Polícia Federal, tão operosa e tão espetaculosa quando se trata de vazar informações ou pseudoinformações e de prender os suspeitos de sempre, não esclarece nada.

E a imprensa tratou o assunto como se tivesse sido encontrada meia tonelada de pasta de amendoim. (O único esforço de reportagem foi do DCM. Graças à contribuição de seus leitores, pudemos investigar o caso. Produzimos um documentário que pode ser visto aqui. O responsável pelos trabalhos, Joaquim Carvalho, está agora investigando a Lista de Furnas, e outra vez pedimos sua ajuda para financiar a reportagem.)

Em suma: 39 quilos semearam a fama mundial de Escobar. Meia tonelada semeou coisa nenhuma.

Há uma única razão para isso.

É que o dono do helicóptero, o senador Perrela, é amigo de Aécio.

Blindagens se transmitem.

E amigo de baladas, como mostram fotos em que os dois não estão exatamente sóbrios.

O silêncio criminoso da mídia sobre o helicoca veio em hora boa para Aécio, em plena campanha presidencial.

Isso tem que ser lembrado sempre: Aécio conseguiu perder mesmo com uma operação fabulosa de favorecimento pela imprensa.

Mas o helicoca sobreviveu na mente e na consciência de quem não se deixa manipular por jornais e revistas altamente comprometidos.

Meses atrás, Luciana Genro evocou-o numa treta no Twitter com Feliciano.

Luciana defende, com razão, a descriminalização das drogas. Pablos Escobares nascem exatamente da guerra às drogas.

Ela expôs sua tese no Twitter. E afirmou que há traficantes até no Congresso.

Feliciano pediu que ela explicasse isso. E ela citou o helicóptero do senador Perrela.

O resultado é que quem teve dor de cabeça com o helicóptero não é seu dono, mas Luciana. Perrela foi recompensado por Temer por seu apoio ao impeachment. Seu filho arrumou uma sinecura na CBF.

E então nós ficamos assim.

Menos de 40 quilos consagraram o banditismo histórico de Pablo Escobar – cuja história você pode ver na brilhante série Narcos, da Netflix, agora na segunda temporada.

Meia tonelada de pasta consagrou a impunidade de um certo grupo privilegiado de brasileiros para os quais pau que bate em Chico não bate em Francisco.

O texto acima foi publicado originalmente neste mesmo dia de 2015. É republicado agora, com ligeiras adaptações, por ocasião do lançamento da segunda temporada de Narcos.


Confira também, O pronunciamento mais honesto de Michel Temer 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

“Vivemos dias tristes para a democracia”, diz juiz que liberou jovens



SP 247 – Na decisão em que liberou o grupo de manifestantes presos pela Polícia Militar neste domingo 5 antes de começar o protesto contra Michel Temer e em defesa de eleições presidenciais já, o juiz Rodrigo Tellini, do Foro Central Criminal da Barra Funda, considerou as prisões ilegais e lamentou o atual momento político.

"Vivemos dias tristes para nossa democracia. Triste do país que seus cidadãos precisam aguentar tudo de boca fechada. Triste é viver em um país que a gente não pode se manifestar", declarou, no despacho. O grupo ficou mais de 24 horas detido sob a acusação de "associação criminosa e corrupção de menores".

A Defensoria Pública e o Ministério Público solicitaram a apuração de violência policial. Duas pessoas relatam que policiais forjaram a apreensão de objetos, o que também deverá ser investigado. Foram liberados hoje 19 adultos do total de 27 manifestantes detidos antes do protesto. Outros oito menores de idade detidos irão responder por ato infracional. Eles serão ouvidos pela Justiça no Fórum do Brás.

Versão da PM

Em coletiva de imprensa, o coronel Dimitrios Fiskatoris, responsável pela operação, afirmou que os jovens "declararam que estavam reunidos para praticar atos de desordem na cidade". "Eu tenho registro da declaração deles dizendo que faziam parte de um grupo que estava reunido para praticar atos de desordem na cidade e que eram parte de várias células que estavam espalhadas pela cidade", declarou.

Fotos divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública do Estado dos supostos pertences dos manifestantes mostram estilingue, pedras, garrafas com líquido não identificado – a mãe de um deles afirmou ser vinagre,para se proteger do gás da PM – celulares e chaves. Há ainda máscaras e kit de primeiros socorros. A PM afirmou haver também uma barra de ferro, que não foi mostrada nas fotos.

Na delegacia, advogados acusaram os policiais de cometerem abusos, como o impedimento da comunicação entre os presos a advogados e entre os presos e seus familiares. Eles foram obrigados a prestar depoimentos sem a presença de seus defensores.




Confira também, O pronunciamento mais honesto de Michel Temer